“Deus quer, o homem sonha, e a obra nasce”

 

Fernando Pessoa in Mensagem

 

Deus quis que o homem esculpisse, este obedece-lhe e pequenas obras divinas, fragmentos de perfeição nascem.

 

Tal qual os alquimistas medievais que purificam através de sucessivas destilações os preparados até à Pedra filosofal, o Timóteo vai purificando pela sua arte as pedras informes até atingir a quinta-essência, a pedra filosofal que se encontra oculta no seu seio e só acessível a poucos, tocados pelo divino. A procura através de sucessivas operações desta perfeição é conseguida nas suas peças. Cada uma delas pode ser definida como um pedacinho de perfeição, de existência.

E a nós, simples homens, é-nos possível contemplar tais segredos por uma ascese conjunta entre a peça, o autor e nós. Só assim podemos aspirar conhecer directamente esse algo superior e acreditar que realmente existe algo que nos ultrapassa largamente mas que nem sempre nos é evidente por tão acima se encontrar.

Timóteo pode assim ser chamado de pontífice, ou seja aquele que faz a ponte, entre os humanos e os arcanos na boa tradição de Demiurgo de Platão, pegando numa ideia-chave e
traspondo-a para uma imagem por nós compreensível.



João Amaral

Ano: 1999