“… cada objecto é parte de um todo e esse todo é o Universo inteiro…”

 

Lima de Freitas



Ao olhar para cada uma das esculturas de Rogério Timóteo apetece-me dizer aquilo que José Saramago dizia, há tempos atrás sobre uma frase escrita por um amigo, como eu gostaria de ser o autor. A pedra, habituei-me a olhá-la sempre como algo que pode transportar beleza. Todo o meu percurso diário é feito pelos seus meandros, o grandioso edifício construído em pedra, com proveniência da zona onde Timóteo realiza a sua obra e as suas esculturas que o povoam.

O partir, o transformar de um bloco tem algo de novo, o amor, a paixão, mas também o sofrimento e quantas vezes a angústia. Muitos olhos, muitas percepções, muitas experiências de vida irão “olhar” e vão ver a obra final.

Cada um fará o seu juízo.

A candura do branco opõe-se aos tons fortes do metal.
A doçura da imagem feminina contrapõe-se à força por ela imanada.
A leveza das formas alia-se ao rumo de libertação.
É a mulher a ocupar quase sempre o imaginário do Timóteo – porque é a mais bela, porque tem mais força interior, porque encarna a maternidade, porque é mais sensual?

A necessidade de elevação, desprendimento e libertação são constantes formas de procurar, ir mais além. A vida, o percurso da humanidade procura algo, não é possível continuar-se agarrado ao terreno, outras formas e modos de estar terão de ser procurados. O não querer estar preso, o abrir de braços e agarrar o que está para além dos limites é a sua procura constante.

Uma viagem longa, com percursos sinuosos e caminhos arriscados mas tentadores em busca constante do todo, que para Rogério Timóteo será sempre inatingível. As suas interrogações interiores, provocam sempre perguntas, quase sempre sem resposta. Uma insatisfação constante dá-lhe esta força criadora e esta expressão quase divina.


Teresa Amaral

Ano: 1998